segunda-feira, 27 de maio de 2013

Ontem, hoje e sempre!

Hoje, ao procurar algumas informações de Krashen sobre os períodos de desenvolvimento do aprendizado da segunda língua, encontrei - por um desses acasos inexplicáveis da vida - no fundo de uma caixa, um papel já amarelado pelo tempo.
Escrito com uma letra que não mais se parece com a que tenho hoje. 
Usando palavras que não pronuncio mais. 
Com uma inocência que ainda faz parte de mim, mas não se mostra com tamanha frequência
No topo, cuidadosamente escrito de lápis de cor azul, estava a pergunta:
O que eu quero?
De lápis de escrever veio a resposta logo abaixo:
Eu acho que não quero tanta coisa assim como a maioria das pessoas. O que eu quero eu já tenho. Eu já sou feliz assim do jeito que eu sou. Um dia eu quero ter um emprego legal, que eu goste. Alguma coisa ligada a artes, tipo ser professora de artes ou tirar foto, ainda não sei...Um dia eu quero conhecer um carinha bem maneiro. Daqueles que tipo tem cara de mau mas é carinhoso. Um carinha que queira fazer varias coisas junto comigo. Tipo viajar, ouvir musica, conversar, rir, fazer um montão de coisa. Um dia eu quero ter um filho ou uma filha com esse carinha, talvez mais de um. Uma casa massa, nem precisa ser chique e nem grande mas que seja tranquila. Eu quero amar muito só esse carinha, ate ficar velhinha. E o resto é só ser feliz pra sempre mesmo...
Pensamento sensato demais para uma menina de provavelmente 12, no máximo 14 anos.
Se não fossem pelos 'carinhas maneiros' e pelo fato de que - por cima de tudo,como faço ate hoje quando não gosto do que escrevo - havia um 'X' atravessando a folha de ponta a ponta.
Em algum momento da minha vida eu achei tudo aquilo que escrevi chato e inútil, mesmo assim me faltou coragem para joga-lo fora.
Impressionante como o tempo dá outro significado às coisas. 
Essas palavras me trouxeram de volta uma parte de mim que já se esvaía da minha memória aos poucos, com o passar dos anos.
Esse sentimento de que tudo sempre vai dar certo se eu me dedicar, já nasceu comigo. 
Essa paz constante apesar dos imprevistos. Os sorrisos incontroláveis.
Essa capacidade de seguir em frente e de ser feliz em qualquer circunstancia. 
Nesta tarde, a metade que sou hoje se encontrou com a metade que fui ontem.
Esse encontro me fez sentir plena, me encheu de esperança no que ainda está por vir. 
Esse coração sereno, leve e cheio de fé, sou eu. 
Sempre fui eu. 
Prazer.

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